Hipocrisia da bipolaridade

Pela primeira vez falo nesse assunto – hipocrisia.

Vivo hipocritamente. Quase sempre mentindo para não desagradar os outros.

Faço tanto isso que já introjetei em minha mente, agindo de uma forma quase que natural…

Ontem tive várias crises. Sorte que estava com uma amiga que fazia minha unha e com ela não precisei fingir. Cheguei a falar-lhe que estava passando muito mal. Ela me ajudou de verdade com uma imensa paciência. Só tenho a agradece-la:

– Obrigada, Aline, pela pela demonstração de humanidade!

A cada dia que passa, os intervalos entre as crises diminuem mais. Elas vão se intensificando ao ponto que eu pense com maior frequência em finalizar.

Meu sorriso falso convence as pessoas de que estou bem. No entanto, elas não têm a menor ideia do que se passa dentro de mim. Da dor enlouquecedora que sinto.

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Dor

Estou morrendo de tristeza. Dor profunda no peito como se fosse explodir.

Sinto a maldita dor várias vezes ao dia. Depois [de tomar medicação sos], ela diminui, nunca cessa. Ela não para nunca.

Tenho medo do que sou capaz de fazer.

Dor filha da puta, sai de dentro de mim, senão eu morro ou me mato.

Esse sofrimento parece não ter fim. Me sinto uma lesma, ser bem indesejável, feia, gosmenta. Algo que alguém pisa, esmigalha sem dó e sente só nojo.

O barão negro do Império

Francisco Paulo de Almeida, o Barão de Guaraciaba, foi um dos empresários mais bem sucedidos dos tempos do Império brasileiro. Era um homem negro num país de escravos!

Senti orgulho de sua história pois o considero um grande empreendedor e que lutou muito desde a sua infância, ultrapassando limites.

Filho de uma negra com um modesto comerciante branco, ele, para ganhar algum dinheiro, começou trabalhando como ourives e tocava violino nos enterros. Para poder estudar à noite, pegava os tocos de vela nos cemitérios.

Com 15 anos, tornou-se tropeiro e passou a ganhar dinheiro com o comércio de gado. Nisso, conheceu vários fazendeiros até que veio a adquirir uma propriedade rural.

Casou-se depois com a filha de um proprietário de terras, a qual lhe gerou 16 descendentes. Seu sogro, além de fazendeiro, era negociante. E, com a morte deste, assumiu todas as empresas da família de modo que a fortuna multiplicou-se, vindo a adquirir sete fazendas de café.

Além da atividade rural, Francisco Paulo fundou duas instituições financeiras: o Banco de Crédito Real de Minas Gerais e o Mercantil de Minas Gerais. Também construiu estradas de ferro, incluindo o trecho que liga Valença a Barra do Piraí, inaugurado por D. Pedro II em 1883. E ainda se tornou sócio fundador em 1889 da que possa ter sido a primeira usina hidrelétrica da América do Sul, situada no rio Paraibuna, em Juiz de Fora (MG).

Dizem que o barão negro do Império teve algo em torno de mil escravos. Uma justificativa é que se tratava da única opção de mão-de-obra naquela época.

Seja como for, sabemos que não se pode julgar a História com os olhos do presente, devendo ser levado em conta o contexto da época.

Tenho medo

Tenho medo do futuro.

Tenho medo do passado.

Tenho medo da dor.

Tenho medo da angústia.

Tenho medo do revólver.

Tenho medo do ladrão.

Tenho medo da polícia.

Tenho medo da pobreza.

Tenho medo da loucura.

Tenho medo da gilete.

Tenho medo da faca.

Tenho medo da solidão.

Tenho medo da multidão.

Tenho medo do político.

Tenho medo do povo.

Tenho medo das massas.

Tenho medo do fascismo.

Tenho medo do nazismo.

Tenho medo do comunismo.

Tenho medo da democracia.

Tenho medo do diabo.

Tenho medo de Deus.

Tenho medo de tudo.

Tenho medo de viver.

Amiga morte

Já não quero mais estar aqui. Meu desejo é estar longe, muito longe… Lá onde os mortais são proibidos de entrar.

Eles nem sequer falam, pois têm medo. Eu, no entanto, desejo tão fortemente que seria capaz de adiantar o meu relógio para lá estar.

Talvez não seja estar em algum lugar, mas estar com ela, a amada por tantos poetas. Plageando um deles, a “amiga morte”.

Grande companheira de românticos, deprimidos e loucos, sinto sua falta. Doe no peito a sua ingratidão por me deixar refém por tanto tempo.

Por favor, venha. Sua companhia me é doce e agradável. Só você me compreende verdadeiramente.

Vem…

Vem…

Já posso sentir o gosto de sangue na boca. Seu toque morno quando passa pelo meu colo

Será este o fim de minha angústia, sofrimento e dor? Ou alguém vai chegar e acabar com toda a minha fantasia e sonho?

Quase um surto

Começou na casa de minha irmã com a notícia de que minha mãe poderia estar com um início de Alzheimer. Me abalou muito, embora eu já estivesse impactada por outro motivo.

Dali passei em casa e fui para Centro Espírita kardecista que frequento. Chegando lá, sentia como se meu corpo não fizesse parte de mim. Uma sensação estranha e difícil de explicar.

Quando sentei, senti que iria enlouquecer, ficar completamente maluca. Isso era muito forte na minha mente.

Perdi totalmente o sentido do certo e do errado. Queria rasgar minhas roupas, bater fortemente com a minha cabeça num mourão (madeira grossa que segura o telhado) até estraçalhar meu cérebro, minha cabeça.

Logo a seguir, veio outra onda. Não sentia mais minhas pernas. Foi como se eu tivesse me tornado paraplégica. Aliás, fiquei sem movimenta-las por algum tempo.

Para tentar melhorar, mandei mensagem da cabeça para as pernas a fim de que elas se mexessem. Dizia pra mim mesma que elas se movimentam e eu não tenho nenhum problema pois sabia que a mente é capaz de paralisar uma pessoa assim como faze-la andar.

Comecei a fazer preces sem parar e, com isso, fui melhorando. Incrível como consegui ficar bem e até assisti o final da palestra.

Foi osso!

Vendo-lhes

“E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro. E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados.” (Mc 2:3-5)

Ja falei anteriormente sobre esse assunto no meu grupo de amigos do zap. Agora escreverei aqui.

Acho a amizade uma das pedras mais preciosas que existe, senão a mais. Amigo é aquele irmão que nao se escolhe. Acontece!

No texto do Evangelho citado, Jesus deixou isso bem claro quando reparou a atitude dos amigos que trouxeram o paralítico, vendo-lhes a fé.

Esse plural diz tudo! Deixa claro a força do amor e da amizade. Algo que temos que cultivar como uma plantinha, molhando sempre um pouquinho.